autistas por opção

Não sabemos até onde pode ir nosso poder sobre o amor, a dor, e sobre nossa consciência como humanos e do que somos capazes usando esses componentes tão impactantes nas nossas vidas.

Mas sobre mim, posso dizer com certeza e tanta dose de clichê verdadeiro que mal sufoco: não acho que possa existir algo mais forte em cada um do que a capacidade de amar. Não este amor do qual todos falam. Mas o amor sincero, selvagem. Não sexo selvagem – o que pode ser bom também, mas não é do que falo. Bem, como explicar isso sem me complicar?

O fato é que, quando  dois leões se olham profundamente, acredito que se amam. Não é um amor propriamente pelo outro, pelo indivíduo alheio a si. Eles se amam pois se reconhecem como componentes de um todo, se olham pois se reconhecem como inteiros quando unidos. Se amam, porque se reconhecem, simplesmente. E se respeitam, e se admiram como se admirassem e respeitassem a si próprios, a sua condição unânime e conjunta. E naquele ínfimo, milésimos, provavelmente, se amam como jamais saberiam dizer como, mesmo se pudessem. Se amam profunda e verdadeiramente.

Esses olhos, me fazem duvidar. Para mim, não amam. Se escondem. Por isso não gosto de olhares prontos, profusos, aprendidos na escola dos jogos de sedução. Quem se deixa usar este olhar, para se perder ou encantar, esquece que é o olhar do lutador, que se proteje, para atacar. E, no meu mundo, gosto de pensar que não amo lutadores. Amo artistas.

E não há nada mais belo que isso. O amor, está no olhar. Na segurança de amar sem dizer nada. No conforto do silêncio. E esse é o amor mais universal que podemos conhecer. Pois, na minha recatada opinião, é onde sabemos que amamos, não importa quem. Nossos pais, familiares, amigos, parceiros. Não importa o amor, esse é o único ponto comum entre todos os amores. Quando somos capazes de nos encarar e observar um ao outro, e nos sentir, nos entender. Quando simplesmente sabemos, porque em algum lugar estamos nos comunicando em dimensões desconhecidas e ainda não estudadas.

Por que mesmo que perdemos nossa competência de sermos naturais e escondermos nossos sentimentos, nosso olhar, da forma mais inocente e menos perigosa que existe?

Creio que amamos de diferentes maneiras, mas, sem esta, jamais seria amor. Não acredito que alguém possa dizer que ama outrem, sem que tenha tido um único momento – de prazer, adrenalina, medo, carinho ou paixão – silencioso. Não acredito em ninguém que diga amar outrem, sem que tenha dito: “eu te amo de um modo que não saberia dizer, mas tento, do único jeito que não consigo evitar” apenas olhando.

Dizer que os olhos são a janelas da alma, não é mentira, mas não é uma verdade completa nos meus devaneios. Os olhos, para mim, são a janelas da capacidade de cada um de amar. De amar profunda e silenciosamente alguém, seja quem for. Um animal, um homem, uma mulher; mãe, pai, irmã, tias, irmãos.

Por isso, entre outras coisas – pois tenho uma surpreendente competência para duvidar – desconfio sempre que alguém me fala de cabeça baixa, olhando para os lados, para minha jaqueta. Para minha espinha, meus chinelos, minha camiseta, ou o que carrego nas mãos – para qualquer lugar, menos para o único lugar que realmente me importa: o fundos dos meus olhos. 

     "Agora sim está me seduzindo, baby. Agora sim, você está me amando. Venha, e me ame como for, pois agora, com esse seu olhar, está tudo a seu favor. Venha e me ame, por favor. Quero o seu olhar e o que restar de amor. Venha pelo vento, que eu parto de algum jeito e te encontro em algum ponto, mas eu vou." 

Acima de tudo, não me interessa quem não se interessa ou se preocupa com minha capacidade de amar.  


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Num reino nada nada deveras distante, e nada-nada reino, que mais parecia um vilarejo ou uma cidadela qualquer, e que fica próximo de qualquer coisa que pudermos imaginar (que geralmente é bem próxima), moravam muitas famílias, como moram muitas famílias em muitos lugares – inclusive naqueles que nossa imaginação nem consegue alcançar ou saber da existência.

Esse lugar – do qual já não me atrevo a detalhar, descrever, e/ou caracterizar – era feito de um montão de casinhas amontoadas lado a lado. Mas esse lugar-sem-descrição tinha uma coisinha de diferente de todos os lugares que você pensou. 

Havia algo de especial, um diferencial em relação a todos os outros lugares. 

Porque foi esse o lugar escolhido (não me pergunte por que) por crianças e pessoas muito, muito, muito dignas, especiais, e inteiramente importantes, com uma peculiaridade específica. 

Não sei se conto...porque você vai rir se eu disser. Talvez nem acredite. Mas a verdade é que...eram crianças com pé de esponja. Isso, pé de esponja. Esponja. Luffa. Esqueleto de porifera tratado, para comercialização. Feitas de esponjina. Curcubitáceas. Chame como quiser, imagine a que melhor lhe apraz. Não se afete pela influência da minha esponja mental, é só para ilustrar. Enfim. Crianças pés de esponja se alojavam, em sua maioria, neste lugar. 






Bem, e por mais que fosse um lugar digno, e bonito, e bom, e mimimi; muitas delas, é bem verdade, sofriam muito com as risadas das outras crianças – já que seus pés eram diferente de todos os outros que aquelas crianças de pés comuns já tinham visto. Portanto, sendo a minoria, é claro que os pés de esponja eram os pés errados e defeituosos. E que seus pés, por mais estranhos, e sujos, e tortos que fossem, eram os pés certos e saudáveis.

Os pais das crianças ou tinham que fingir ter pés normais, ou aceitar serem eternamente alvo de piada e engolirem tudo sem reclamar, ou então exibiam orgulhosamente seus pés e faziam questão de mostrar o que eram, porque reconheciam a importância de cada um, inclusive de si mesmos, independente de que eram feito seus pés – estes eram simplesmente ignorados, e muitos achavam que eram loucos, por insistirem em exibir seus pés de esponja, forçando os civis normais a verem aquela monstruosidade.

No entanto, em algum momento, os pés de espoja a mostra começaram a incomodar terrivelmente algumas pessoas que não gostavam de seus próprios pés. Assim, com medo de que todos descobrissem a feiura destes próprios pés, preferiam apontar a suposta feiura dos Pés de Esponja.

Algumas dessas pessoas tinham pés, digo, cargos, sujos importantíssimos na cidade. E não pensaram duas vezes ao usá-los (os pés também) num MAPE (Movimento Anti Pé de Esponja. 

Em pouco tempo, o que se via, eram civis de todos os tipos – com ou sem pé de esponja – assustados. As polícias (do MAPE e a PC, Polícia Comum) entravam nas casas para revistar os pés. As meias, os sapatos, o chão. E até as paredes. Tudo para farejar um possível Pé de Esponja e persegui-lo até obrigá-lo a usar um pé normal que tinham inventado, ou botá-los para correr com seus pés macios.

Pouco a pouco, essas pessoas de pés comuns muito feios (vamos chamá-las, daqui para frente, de...Pecomumf) começaram a querer criar intriga entre os civis de Pés Comuns, e os Pés de Esponja. Isso até durou algum tempo, mas nem mesmo os Pés Comuns que antes zombavam dos Pés de Esponja, gostaram daquilo. E se sentiram até arrependidos de ter agido daquela forma durante tanto tempo.

Todos somos assim, iguais em sermos únicos. E absolutamente nada deve restringir nossa passagem por conta disso. Todos podem seguir em frente somente se ninguém resolver parar no meio do caminho.


Bom, a verdade é que os civis passaram a se unir, com o objetivo de proteger os Pés de Esponja; em troca, as crianças de Pés Comuns ouviam as histórias e estórias dos Pés de Esponja e Pés Comum, a fim de mostrar que eles sempre foram amigos, e os MAPES de todas as gerações tentaram criar intriga entre eles para dominá-los e manipulá-los com menor esforço. Estórias e histórias que não eram nem feias, nem bonitas, simplesmente verdadeiras.

Neste vai e vem de pés, uma família de civis de Pés Comuns em especial, se encantou imensamente por um casal de irmãos pés-de-esponja, que haviam perdido seus pais na guerra que havia se tornado a perseguição contra os pés de espoja.

Certo dia, a casa desta família seria, seguindo a sequência, o próximo alvo de vistoria dos guardas do Esquadrão Anti-Esponja monitorado pelo MAPE. A família, então, cuidou de todos os preparativos, fazendo meias novas para os Pés de Esponja não esfriarem e ressecarem, e ficarem escondidos, evitando causar desconfiança no Esquadrão.

Quando a guarda chegou, a família já estava em riste, como era o ordenado, para recebê-los. Cada um se apresentava conforme o chefe da guarda ia mandando. Até que, no meio de uma das apresentações, o menino pé de esponja tropeçou, e um pedaço de sua esponja azul ficou à mostra.

O menino ficou sem ação. Totalmente paralisado. E a guarda já preparava as armas na direção do garoto. Imediatamente aos disparos, o menino colocou seus pés na frente do corpo, e as balas ricochetearam na esponja e voltaram para quem as havia disparado.

E a estória poderia terminar aqui, sem que pudéssemos sentir nem um pinguinho de pena, tristeza, ou vazio. Mas o menino e sua irmã Pés de Esponja ficaram terrivelmente abalados com aquela quantidade toda de sangue, e decidiram tratar dos soldados. Assim, na falta de estrutura e equipamentos, causada pela guerra, ambos cortaram um pedaço de seus pés de esponja, a fim de poderem limpar os ferimentos e evitar uma infecção.

Quando os guardas enfim se recuperaram, ficaram imensamente envergonhados de suas atitudes. Agendaram uma reunião com seus supervisores, que acataram imediatamente, e agradeceram aos garotos pés de esponja, homenageando-os publicamente na praça da cidade. 

Foi declarado, então, que nenhum civil poderia ser perseguido, hostilizado ou humilhado, qualquer fosse sua situação – pé de esponja ou não. E que qualquer atitude contrária à esta nova lei, seria retaliada de igual forma, e o agressor seria punido igualmente, independente da matéria ou cor de seu pé – ou qualquer que fosse a objeção. Essa seria a lei universal. E para atestar a veracidade da igualdade, não poderiam ser criadas quaisquer outras leis complementares, especificando, por qualquer que fosse a característica, os beneficiados da mesma. 

Assim, os pés de esponja e os pés comuns viraram somente pés, que caminharam juntos – procurando sempre seguir uma mesma direção que fosse minimamente satisfatória a todo, feliz até que alguém inventasse uma nova regra. E, a passos lentos, todos unidos, contra a hipocrisia de pseudo-políticas de igualdade, injustiça e subestimação de seua soberania; conseguiram se tornar a maior e melhor sociedade de pés, mãos, e almas do universo todinho. 

Nota: Existem, atualmente, mais de ... pés de esponja reais no mundo todo. Divididos entre aqueles incompreendidos por suas idéias, atos, e pensamentos, que nada interferem no direito alheio. Divididos entre os que precisam se esconder para não serem atingidos, e aqueles que aceitariam morrer por uma causa justa mas intrigantemente não aceita. Não me importa se mulatos, homossexuais, negros, orientais, crianças, ocidentais, mulheres, europeus, deficientes, e qualquer outra peculiaridade que conseguimos encontrar para definir-nos e separar-nos. Enquanto todos não nos unirmos, por uma causa única, verdadeiramente igual, justa, e realmente edificadora, jamais teremos êxito como seres-humanos, cidadãos, e civis. Esta é, sim, estritamente a opinião de quem escreve, e não há qualquer ressalva para o que foi aqui expresso.   
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Algumas informações aqui apresentadas podem ser avaliadas apenas como devaneios de uma mente criativa, enquanto outras possuem sua legitimidade transvestidas no imaginário de uma mente agora inquieta.

Ali encontravam-se com vinho e chocolate. Na noite anterior houve música e pegação, mas nada ao extremo, naquele momento em que se encontravam sob as cobertas, os braços dos três se entrelaçavam. “Hmm”, ouvia-se de quem estava de fora. Um beijo entre duas pessoas que não se pegavam há tempos. A terceira pessoa assistia curiosa e animada, esperando que ele voltasse a beijá-la. E voltou. “Humm”, ouvia-se mais uma vez, não sabendo a quem pertencia o gemido, se era de alguém de fora ou daquela que ficou na espera por mais um beijo. Aquele que assistia de longe havia desistido, saiu do quarto um pouco irritado por há tempos não ter encontrado alguém pra dividir uma coberta. Ali ficaram os três. Os beijos se intensificaram, e a animação também. Risadas, cochichos, e “vamos tirar isso aqui que está entre nós” ouvia-se um comentário eufêmico sobre as peças de roupas que os encobriam. Mãos percorrendo corpos alheios, a proporção estava boa: seis para três. “Há quanto tempo nos conhecemos?”, alguém fizera essa pergunta, porém a resposta pouco importava para eles, o interessante era viver o momento. Roupas jogadas, calcinhas, uma cueca. “Cadê a camisinha?”, “eu tenho”. As mãos, percorriam cada centímetro dos corpos e a cada momento os beijos ficavam mais intensos e afanados por risos e gemidos de excitação. “Ah, vocês, sério?!” alguém gritava de fora do quarto. Ali dentro ouviam-se apenas risadas. Todos desnudos e tentando consumar, de fato, o ato. Quase conseguiram, foi por pouco. Pessoas tentando entrar e aquele que deveria estar mais animado, não estava, acho que era o nervosismo. Parou-se ali. As risadas continuaram e a ideia guardava-se no imaginário de todos. O que rolou e o que não? Ninguém do quarto comentava, mas dizem que foi inesquecível.
petelecos... 0 viajadas | edit post
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Ou melhor, o primeiro CARNAFACUL, ou melhor ainda, o PRIMEIRO PORRE... a gente NUNCA ESQUECE! Gostaria que estivessem dividindo esse momento tão assustador comigo!

Meu mundo ia pra direita e pra esquerda, eu queria sentar..e de olhos fechados me via deitada no chão descansando...enquanto isso na realidade minhas amigas entravam em conflito de opiniões..."SENTA, LEVANTE, BEBE ÁGUA, NÃO TOMA MAIS NADA, COME BALA, NÃO COMA MAIS NADA" e meu mundo ia pra direita e pra esquerda e eu fechava meus olhos e elas me pediam para abri-los, abria e meu mundo ia pra direita e pra esquerda, pedia pra ligar pro meu irmão, me imaginava chorando mas a única coisa que conseguia fazer era vomitar, liga pro meu irmão, elas não ligavam e mentiam pra mim dizendo que ele estava vindo. Até que chega uma abençoada de Deus, especialista em porres, disse que eu não ia melhorar...me deita no carro e liga para meu irmão. Quando meu irmão chega dou um forte abraço, vejo o amigo dele junto e dou um abraço mais forte ainda do tipo " o ele veio me salvar... e trouxe reforço!!!" Chego em casa, ele me põe no banho, na camisola e na cama. Graças a Deus tenho um irmão mais novo, porém mais experiente...
Tal fato merece registro, e aí está!

É claro que merece uma foto (para que eu possa me envergonhar daqui alguns anos):

O que eu bebi para ficar assim: 4 goles e Jeropinga, 1 gole de Champagne, 1/2 gole de Tequila, Talvez um meio copo (pequeno) de Vodca com Sprite, Uns três goles de Energético puro (Falcon).
O que eu perdi: 9,50 para ir até o shopping customizar a camiseta, 5 reais estacionamento, 3 reais para o esquenta e 40 reais do ingresso do carnafacul, pq é claro= sequer consegui entrar na festa!
O que eu aprendi: Ah! Quanto mais reflito mais aprendizados me vêm à cabeça...
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Paixão alérgica

Sentei-me mais uma vez no banco do qual comumente a via passar. Percebi seu encanto há mais ou menos dois meses e desde então tenho sofrido por um amor platônico. Sou um jovem tímido, confesso ser bem aparentado e inteligente, porém tímido e acatado.

Meu grande amigo – que me encontra mais uma vez para um chope neste quiosque – diz que devo insistir e arriscar um cortejo. A vontade cresce a cada dia que a vejo passar, provavelmente voltando do trabalho, mas o brilho que há em seu olhar me ofusca a um certo ponto que prefiro apenas olhá-la de longe. Não tenho certeza se ela me percebe enquanto peço por mais um chope e lulas fritas de aperitivo, contudo meu amigo diz já tê-la visto dar uma breve olhada; não posso negar meu charme.

No dia seguinte, enquanto a espero passar no mesmo horário, penso em admirá-la mais de perto e arriscar um convite para tomar uns chopes comigo, imagino não haver mal algum nisso. Meu amigo chega, enquanto ouço suas palavras de encorajamento, me perco em pensamentos ao imaginá-la sentada no lugar dele; será que ela gosta de marisco frito tanto quanto eu?

Vejo-a de longe se aproximando, respiro fundo três vezes e antes de me levantar bebo mais um gole de chope.

Ela é mais linda de perto, arrisco um “Olá, como vai?” e convido-a se sentar enquanto peço por mais uma rodada de chope e faço um sinal para que meu amigo desocupe a mesa. Assim que essa doce e bela jovem se senta ofereço minha porção de lula, contudo ela recusa por não gostar da iguaria. Ela é tão linda que quase não me importo com o fato. Convido-a, então, a experimentar uma porção de marisco gratinado, e ela agradece. O que não esperava era que a jovem por quem tenho um grande amor e admiração possui uma grave alergia em sua agora não tão bela epiderme. Confesso ter sentido uma breve repugnância e ao esperá-la sair do pronto-socorro reflito até que ponto vai meu amor. Ela pergunta se irei ligar e eu assenti com a cabeça, porém ela não me parece tão admirável agora, pois diante de um ataque alérgico o amor se esvai.

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Escrevi isso para uma disciplina do Curso, o objetivo era escrever uma crônica a partir da música Garota de Ipanema, confesso ter feito às pressas (horas antes de entregar) e não reparei em alguns erros que apenas prefiro ignorá-los no momento. Não ficou bom, mas quis compartilhar. Nem tenho tanto gosto pela escrita, a prof Eduarda me deixou traumatizada com suas "redações dissertativas" hahaha