Paixão alérgica
Sentei-me mais uma vez no banco do qual comumente a via passar. Percebi seu encanto há mais ou menos dois meses e desde então tenho sofrido por um amor platônico. Sou um jovem tímido, confesso ser bem aparentado e inteligente, porém tímido e acatado.
Meu grande amigo – que me encontra mais uma vez para um chope neste quiosque – diz que devo insistir e arriscar um cortejo. A vontade cresce a cada dia que a vejo passar, provavelmente voltando do trabalho, mas o brilho que há em seu olhar me ofusca a um certo ponto que prefiro apenas olhá-la de longe. Não tenho certeza se ela me percebe enquanto peço por mais um chope e lulas fritas de aperitivo, contudo meu amigo diz já tê-la visto dar uma breve olhada; não posso negar meu charme.
No dia seguinte, enquanto a espero passar no mesmo horário, penso em admirá-la mais de perto e arriscar um convite para tomar uns chopes comigo, imagino não haver mal algum nisso. Meu amigo chega, enquanto ouço suas palavras de encorajamento, me perco em pensamentos ao imaginá-la sentada no lugar dele; será que ela gosta de marisco frito tanto quanto eu?
Vejo-a de longe se aproximando, respiro fundo três vezes e antes de me levantar bebo mais um gole de chope.
Ela é mais linda de perto, arrisco um “Olá, como vai?” e convido-a se sentar enquanto peço por mais uma rodada de chope e faço um sinal para que meu amigo desocupe a mesa. Assim que essa doce e bela jovem se senta ofereço minha porção de lula, contudo ela recusa por não gostar da iguaria. Ela é tão linda que quase não me importo com o fato. Convido-a, então, a experimentar uma porção de marisco gratinado, e ela agradece. O que não esperava era que a jovem por quem tenho um grande amor e admiração possui uma grave alergia em sua agora não tão bela epiderme. Confesso ter sentido uma breve repugnância e ao esperá-la sair do pronto-socorro reflito até que ponto vai meu amor. Ela pergunta se irei ligar e eu assenti com a cabeça, porém ela não me parece tão admirável agora, pois diante de um ataque alérgico o amor se esvai.
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Escrevi isso para uma disciplina do Curso, o objetivo era escrever uma crônica a partir da música Garota de Ipanema, confesso ter feito às pressas (horas antes de entregar) e não reparei em alguns erros que apenas prefiro ignorá-los no momento. Não ficou bom, mas quis compartilhar. Nem tenho tanto gosto pela escrita, a prof Eduarda me deixou traumatizada com suas "redações dissertativas" hahaha


Nossa o título e a última frase estão muito harmônicos!! Gostei..acho que deverias investir no seu talento!!
Alyne.