autistas por opção
Encontrava-me num tempo próximo ao das 16:20, e a intensidade com que o sol fazia-me suar estava distante de ser fraca. Eu já estava os vinte minutos todos atrasada, mas ainda não poderia unir-me ao grito de guerra vindo de dentro do estádio, minha prima estava por vir, e tínhamos combinado de entrarmos juntas. Foi quando um telefonema inesperado surgiu-me, era ela. Tais no estádio, perguntou-me. Estou para entrar, afirmei ansiosa por perguntar-lhe onde ela estava lá no mesmo lugar para o qual eu ia. Surpresa. Ela não estava. Não ia. Não estava nem no estádio, nem na cidade. Mudou-se faziam duas semanas. Não pôde me avisar. A conversa que seguiu-se não foi confusa, mas eu estava atordoada demais com a notícia que a iniciou para substanciar-me à clareza do telefonema, e do que dizia a voz do outro lado - tão conhecida e importante para mim. Ela estava lá. Não viria mais. Foi com mala e cuia como diria minha bisavó. Quem pode culpar-se? Ninguém, absolutamente. Mas era fato. Admito que os dias que passaram-se não foram fáceis, estava agressiva e histérica, e de saco cheio das outras pessoas, tão diferentes dela que me conseguia fazer passar horas sem atentar-me. E depois, a segunda ligação. Ao ver o nome, algo me fez esperar por surpresas. Mas esperamos sempre por surpresas boas. Não, por telefone ela sabia me surpreender mais que em qualquer outro meio de comunicação. Estaria indo ao meu encontro naquele mesmo final de semana. Enquanto eu viajava pra outro lugar, e definitivamente não seria nem perto de onde ela estaria. Desencontros acontecem, e esse vai ser só o primeiro dentre tantos outros que se atrelarão aos encontros, porque serão muitos. Avisei já que em um mês irei para incomodá-la, ela soube disfarçar e fingir alegria. Mas acha que eu me importo que ela já não aguente me olhar na cara? Sou egoísta mesmo, a mim pouco importa, EU quero vê-la, problema é dela se enjoou de mim.


ps.: óbvio que esse final é brincaadeira.