autistas por opção
"03:32". Era o horário que marcava o relógio quando eu me senti mais só do que se realmente estivesse e eram quatro horas da madrugada que, desolada, chorava na escada esperando que alguém viesse perguntar o que tinha acontecido ou simplesmente lhe abraçasse, secasse suas lágrimas e prometesse (mesmo que precisasse cruzar os dedos) que ia ficar tudo bem. E alguém tinha nome. Mas estava respirando pesadamente no quarto, ocupando a cama inteira sem perceber que ela não estava ali na ocasião mais importante de suas vidas até ali. Esperou, esperou, esperou...E está esperando até agora. Só que já se passou pouco mais que 24h de espera. E não sabe quanto tempo ainda vai esperar por alguém que tem agido como se não valesse a pena a espera. Como se não fosse quem lhe amparasse, secasse suas lágrimas,
e provocasse o esquecimento completo delas. Como se não fosse melhor que ela em ser melhor do qualquer um que surgisse. Como se fosse ninguém.