Ainda posso me lembrar da cara de indiferente que ela fez quando entrei na sala de camiseta cinza cortada como sempre e os tenis xadrez novinhos. Como ainda posso me lembrar do porquê da cara: ela nem imaginou que aquela menina de camiseta recortada como sempre com seus tênis xadrez poderia ser a mesma que deixara, por medo de ser esquecida, uma agenda com quase nada, mas que ela gostaria que significasse tudo. E era a mesma menina que chorara ao encontrar, dias depois de chegada ao seu destino, o sabor doce que fora a despedida. Ainda posso me lembrar do dia em que finalmente conseguira quebrar a muralha daquela outra, com a qual a tanto tempo não conversara, e a qual lhe fez tão bem ao sorrir como há muito não sorria. Ainda se lembra de quando tiveram que abraçar uma que chorava triste por um motivo que por nós poderia ser amenizado por um abraço, e o foi. Ainda lembro de nós. De como acreditávamos. E não quero esquecer, nem acreditar que deixamos de acreditar. E por ainda querer acreditar, é que ainda acredito, que somos pra sempre. Porque o que é construído dentro do coração - por mais piegas que seja para alguém dura feito marmelada feito eu - e com o coração jamais deixará de existir. E pra mim, e por mim, tudo isso que tivemos, temos, e teremos estará sempre no meu coração.
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