autistas por opção

4:17 da manhã, resolvo que está na hora de depressivos irem pra cama. E decido não depois de uma sessão de tortura no psicanalista, ou de uma transa loucamente obstinada por um pouco de afeto. Não...não por causa de uma bebedeira inconsequente em uma festa ou boteco qualquer. Resolvo por um motivo suavemente patético: depois de praticamente um dia todo no computador, ouvindo Regina Spektor e afins; depois de fazer um bolo de chocolate lá por uma da madrugada, arroz pro almoço, e calda pro bolo; depois de ouvir cinco vezes as mesmas quatro músicas do Dave Matthews, lendo todas as traduções; depois de editar todo meu álbum com legendas do tipo "learning loving somebody don't make them love you...", bom, eu percebo que o tempo não é só uma melodia, e que não somos apenas lendas perdidas num oceano de incoerências. Não saber o que fazer com as respostas às perguntas erradas, ou querer coisas apenas poeticamente alcançaveis está intensamente projetado pra nos ser peculiar, e duvidosamente pitoresco. Deixo de ser aquela criança inteligente que não ocupava-se com garotos além de de duas horas por festa, pra ser aquela que - mesmo que por alguns momentos - só pensa neles, ou em um deles especificamente. Não sou mais quem ridicularizava dúvidas fúteis - pois não as cultivava- pra ser só mais uma, simples, e trouxa mulher. Não adianta a compreensão de certas coisas se elas se transformam constantemente em ferramentas de iludidas esperanças meio a tantas ociosidades, confortavelmente melancólicas, que assolam o universo ridiculamente doce das mentes femininas. Prova disso: eu tenho dezessete anos e estou me sentindo uma personagem de "Sex And The City" fazendo análises desprezíveis sobre o ridículo de ser mulher, e, assim, tornando-me cem vezes mais rídicula que aquelas que estão sendo postas na bandeja como exemplos. Eu, Luana, aconchegadamente acomodada em minha cadeira de três rodinhas, acolhida solidariamente por minhas calças e camisetas velhas de agasalhos antigos, observando, quase que literariamente, a chuva, pergunto às gotas que escorrerem pelo espaço esguio das janelas: afinal, porque cargas d'água chove tanto, e ninguém vem?




ouvindo: head over feet- alanis m.