
O dia estava impecavelmente lindo, e fatidicamente tedioso. Todo nosso querer era resumido em passar poucas e suficientes horas de suspeitas alegrias depois de uma noite tipicamente patética, e, logicamente, acompanhada de boas doses de licor. Tinham sido seis ao todo, seis. Conservados com conversas do tipo: “nãão cara! Tu tem que falar com ele, vai que ele surpreenda, vai que...” ou “não, tem muito o que acontecer, ele ta a fim sim, ele ta a fim”...como se disséssemos, enquanto uma à outra, à nós mesmas sobre nossas perdidas- ou não- ilusões. Toda essa novela para contemplar as dores exaustivas nos joelhos após longínquas caminhadas sem rumo em uma praia momentaneamente deserta, abandonada pelo público mais conveniente à nós. Uma praia fria, sem sol, sem o azul do mar ou do céu...mas com alguém. Alguém com quem foi possível dar boas risadas, e quase crises de choro...ambas oriundas de uma certa...ãn...indisponibilidade alheia de afeto. Mas deixemos esse pra lá...4 de fevereiro, sim, haveria uma festa...a qual tínhamos dois propósitos: alterar a nós próprias metabolicamente, por meio de processos químicos amplamente complexos [hehe], e dançar até o horário combinado pra ir embora - afinal, o terceiro item, de certa forma essencial para o nosso momento emocional, foi cruel e sumariamente eliminado depois que soubemos que a festa anterior tinha sido um desastre em público. Surpresa. Casa cheia...apenas "gases nobres" – com certas e desprezíveis exceções. Então foram doze, dose drinques rigorosamente divididos a duas...em conteúdo, e força. Tudo conspirava a favor...e que santo favor! Desobrigadas a pagar pela entrada, obrigadas a cumprimentar pessoa – desejáveis, ou não-, intimadas a ver outras [bela vista!] ...e fugir de algumas [ora por necessidade incrível de não se passar por ridícula, ora pelo simples fato que não havia o que fazer diante do esforço discreto de soberania...]. Entre o desejo de curtir uma noite amigável e “romântica”, optei por aproveitar tudo tempestivamente. Surpresas, impulsos, regojizos...e sim, surpreendentes momentos. Entre uma espuma e outra, entre um beijo, bebida ou abraço qualquer fizemos daquilo que poderia ser o pior, um dos mais memoráveis carnavais entre muitos que ainda não passamos. Não importou algum egoísmo escancaradamente peculiar, sem necessariamente intuito de maldade; no fim, apenas um frio surreal compensado por uma visão alucinante do céu estrelado, emissor de luzes que faziam-nos pensar poder tocá-las. E quem vai dizer que não as toquei?
ps.: hoje? sim...um trapo.

